TIPOS DIFERENTES E ENGRAÇADOS

Fernando Pinto de Carvalho

Não havia cidadezinha do interior da Bahia que não tivesse os seus tipos diferentes e engraçados. Itiúba tinha muitos. Falarei de alguns deles.

VICENTE era também conhecido como Xuxa e Garapa. Era um doido que não fazia mal a ninguém. Para conseguir as suas refeições ele coletava madeira para lenha nas roças próximas a cidade, fazia enormes feixes e carregava-os nas costas até algumas casas residenciais, onde costumava almoçar ou tomar café da manhã. Era motivo de espanto de todos as enormes cargas de lenha que ele trazia nas costas. Os donos das roças diziam que tudo era retirado das cercas que separavam as suas propriedades e que isso causava um grande prejuízo para eles. Falava pouco e quando fazia isso era para dizer palavrões e oferecer as mulheres casadas da cidade em troca de um pão.

SULU não morava na cidade. Aparecia lá de vez em quando e ficava oito dias perambulando pelas ruas, vestindo várias roupas, umas por cima das outras. Amarrava canecos e panelas de metal em volta da cintura. Adorava imitar o som de rádios AM mal sintonizadas e com descargas. Falava muito sobre uma suposta namorada que tinha na vizinha cidade de Cansanção e que se chamava Popozinha.

DONZELO era um velho solteirão que morava sozinho e se zangava muito quando os meninos gritavam "Donzelo!!!".

CANTU andava nas ruas falando sozinha e se queriam vê-la braba bastava chamá-la de Cantu Capão.

Já o CÂNDIDO ficava zangado quando era chamado de Calango.

O BEIJÁ, uma ou duas vezes por ano ,dizia que estava apaixonado, sem revelar por quem, e começava a cantar uma música de sua própria autoria ,cujo refrão era o seguinte: "Vou chupar melancia com açúcar prá me envenenar...".
Contavam que na primeira e única vez que ele foi a Salvador, assim que desceu do trem, viu, na estação ferroviária, um garoto vendendo pinhas. Ele, pensando que lá as frutas eram baratas como em sua terra natal, chamou o menino e começou a devorar as pinhas ali mesmo, sentado na calçada. Comeu todas e quando foi apresentada a conta, ele teve que desembolsar todo o dinheiro que tinha e ainda ficou devendo. Para voltar teve que pedir aos conterrâneos que por lá passavam o dinheiro para comprar a passagem de trem.Mas, lá mesmo, ele fez um juramento: "Nunca mais eu chupo pinha!".

FEIJÃO CRU tinha esse nome porque passava em todas as casas da cidade pedindo esmolas mas só aceitava feijão cru.

PAOCO só andava descalço e e ficava orgulhoso quando dizia que nunca havia calçado um sapato em toda a sua vida. Transportava nas costas, sacos de 60 quilos, dos depósitos para os armazéns.

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Itiúba do meu Tempo - Fernando P. de Carvalho