A RÁDIO CULTURAL

Fernando Pinto de Carvalho

O nome era Rádio Cultural mesmo e não Cultura. Os dicionários dizem que cultural significa "relativo à cultura", portanto o nome da "voz mais potente da cidade", como afirmavam os seus orgulhosos locutores, não estava errado como muitos pensavam.

Era um serviço de alto-falantes que foi fundado logo que a cidade passou a ter luz elétrica.

Muitos locutores passaram por lá. Desde os primeiros: Bertinho, Osvaldo Campos, Hildete Rodrigues, Armando do João do Rio, até os mais recentes como: Guinho, Manoel Carlos, Clóvis Carvalho, Rogério, eu, Walmir...

A abertura era feita às 18h, quando os motores que produziam a energia elétrica da cidade eram ligados e funcionava até às 21h. Após a abertura, colocava-se um disco com música de ave-maria e lia-se uma mensagem sobre o tema e que era escolhida ou escrita pelos Srs. Sandoval Manciola ou Antônio Rodrigues.

Aos domingos havia o programa de calouros. Colocava-se um cesto de palha sobre a cabeça do candidato, controlado pelo locutor, por meio de um cordão. Quando o calouro errava soltava-se o cordão e o cesto caia na cabeça do candidato. O grande prêmio para aqueles que conseguia passar pela prova era um sabonete Lever ou Vale-Quanto-Pesa.

Nos dias de festa de largo, havia um baile especial para o pessoal da roça com muito baião, xaxado e xotes. O Sr. Robério cooperava muito com a Rádio, nessas ocasiões, arrecadando dinheiro dos participantes. Como as festas de largo eram religiosas ele argumentava: "- o dinheiro é prá Nossa Senhora, você não vai negar?" E sempre conseguíamos algum dinheiro para ajudar a manter a Rádio.

Os ouvintes pagavam para que oferecêssemos músicas às pessoas por elas indicadas. Cobrávamos um valor muito baixo, mas era uma das poucas fontes de renda que tínhamos. Alegria era quando chegava a data de aniversário do Sr. José Simões. Ele alugava todo o horário de funcionamento da Rádio naquele dia e oferecia as músicas a ele mesmo, pela passagem do seu aniversário. Era um mês tranquilo para as finanças da Rádio Cultural. O locutor Manoel Carlos brigava para trabalhar naquele dia, porque sempre conseguia destinar uma pequena parte para umas cervejinhas no Bar do Zé Dantas, que ficava na parte de baixo do prédio onde a Rádio funcionava.

SOBRE A RÁDIO CULTURAL LEIA TAMBÉM:
- O LOCUTOR GARBOSO (pág.32) - Hugo Pinto de Carvalho
- UMA NOITE NA RÁDIO CULTURAL (pág.86) - Fernando P. de Car
- A ESTAÇÃO E A MALA MISTERIOSA (pág.33) - Fernando P. de Carvalho
- O SANDOVAL E O GRITO DA GALINHA (pág.46) - Fernando P. de Carvao)
- O LOUCO CACIANO (pág.20) - Fernando P. de Carvalho



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Itiúba do meu Tempo - Fernando P. de Carvalho
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