A SERRA-VELHA

Fernando Pinto de Carvalho

Na semana santa realizava-se na cidade uma brincadeira perigosa e cruel chamada de "Serra Velha".

Depois da meia-noite de quinta para sexta feira da paixão, quando a energia elétrica da cidade era desligada, um grupo de rapazes saia às ruas com chifres de boi, que serviam de cornetas, serrotes e latas velhas. Tudo isso para perturbar as pessoas que viviam juntas mas não eram casadas legalmente.

Alguns "serradores" mais afoitos e corajosos, chegavam ao ponto de prender as portas e as janelas da casa das "vítimas" com arames de aço, para que elas não saíssem , obrigando-as a ouvir a barulheira e o sermão do "conselheiro" que, com bastante ironias, recomendava a regularização da situação conjugal.

Alguns desses casais preferiam sair da cidade. Um deles porém, participava também da brincadeira, ajudando a "serrar" os outros, divertindo-se e tirando partido de uma situação que poderia ser adversa para ele.

O Sr. Tibério, Delegado de Polícia, contava apenas com o cabo Zé de Souza e um soldado, mas mesmo assim, tentava evitar a brincadeira, andando a noite toda pela cidade. Os participantes do grupo brincalhão diziam que a presença do delegado e dos policiais nas ruas, servia apenas para tornar a "serra" mais emocionante.

Um comerciante sério, sisudo e considerado por todos como responsável, era o financiador da brincadeira, porém não aparecia e ninguém jamais suspeitou dele.

SOBRE A SERRA-VELHA LEIA TAMBÉM:
- A SEXTA-FEIRA SANTA E O CRUZEIRO (pág.138) - Valmir Simões
- A SERRA-VELHA E O BANHO DE XIXI (pág.144) - Valmir Simões
- A SERRA-VELHA II (pág.150) - Humberto Pinto de Carvalho


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Itiúba do meu Tempo - Fernando P. de Carvalho

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