A obra do mestre sapateiro

Valmir Simões

 

 

Naquela época, normalmente, não se comprava sapato em lojas. O comum era fazer encomenda aos profissionais do ramo e entre eles estava o "Seu" Brandãozinho como o mais requisitado por confeccionar sapatos capazes de suportar os muitos trancos do dia.


Pensando assim, meu pai (José Simões) achou por bem encomendar um par de calçados ao mestre, para meu uso pessoal, pois não tinha sapato que aguentasse nos meus pés porque eu saia chutando tudo que encontrava pela frente. Os sapatos do Brandãozinho seriam a solução.

Fui até a casa do mestre e ele pediu-me para sentar em um banco, pegou uma tira de papel, riscou o comprimento e depois a altura do pé, um procedimento rústico e simples, mas que dava resultado e o calçado saia na medida certa. As exigências do meu pai eram que o sapato tivesse solado de pneu, fosse todo em couro e tivesse uma biqueira forte.

Tudo foi feito na forma recomendada e em menos de uma semana fui receber o tal calçado.

No primeiro dia que usei os sapatos fui até o Grêmio (Associação Juventude Itiubense) bater papo e me divertir um pouco com a turma. Ao chegar lá todos olharam para os meus pés e fizeram uma gozação danada com os meus sapatos novos.

Foi o primeiro e único dia que calcei aquelas benditas obras-primas. Sapatos tipo aqueles nunca mais...

 

SOBRE PROFISSÕES E PROFISSIONAIS LEIA TAMBÉM (Clique nos links abaixo):

- O Pintor Ludugério
- O Engraxate Boca-Rica
- "Seu" Acelino, o Marceneiro
- O Garimpeiro Itiubense
- O Joãosinho e sua Alfaiataria
- O Amolador de Tesouras
- O Lambe-Lambe
- O Zé do Quebra-Queixo
- Os Vendedores de Ouro
- Os Sapateiros
- Os Fogueteiros
- Os Garis
- Os Ferreiros
- Os Médicos
- Os Velhos Motoristas

IR PARA O ÍNDICE DAS CRÔNICAS DESTE AUTOR
IR PARA O ÍNDICE POR ASSUNTO
IR PARA O ÍNDICE POR AUTOR
IR PARA O ÍNDICE GERAL

Veja a próxima crônica

Itiúba do meu Tempo - Fernando P. de Carvalho

fpcarvalho@globo.com