I

ITIÚBA DOS MEUS SONHOS

Max Brandão Cirne

 

 

 

     

 

 

O site de Itiúba trouxe um artigo postado pelo meu colega, o poeta e advogado Egnaldo Paixão, sob o título “Morre lentamente Itiúba dos meus sonhos antigos”, com seu grito surdo e abafado sobre Itiúba que está desaparecendo, inaugurando o seu artigo perguntando sobre o circo do Pedro Coruja.
         
A praça fria e exangue, sem vida e descolorida de hoje, embora cheia de casas de péssimo mau gosto, cheia de um casario assassino e pomposo da sua classe habitante, quase favelizada de tão apertada nas construções, foi testemunha, antes do seu esquartejamento, durante a ditadura militar, da passagem de vida, dos circos e dos parques de diversão que enfeitaram e enalteceram as vidas de jovens rapazes do nosso tempo.

Tudo por bajulação dos governantes e Itiúba. Uns meros xeretas e aduladores.
         
Ali os circos ferviam e faziam fervilhavar as noites quentes em busca das rumbeiras graciosas, das paqueras e dos namoricos, dos atos apresentados e dos palhaços risonhos e sempre alegres nos picadeiros. Mas a sanha icnoclausta chegou. Sanha criminosa e incivilizada, fome de reconhecimento e bajulação do prefeito da época e uma Câmara de Vereadores subserviente, ignorante, omissa e irresponsável que aprovou a instalação do Banco do Brasil, monstrengo pré-moldado com o oferecimento, de  presente, do terreno em derredor do monstrengo para que funcionários construíssem casas.
         
Escrevi uma carta-artigo para o jornal A TARDE que foi publicada, que eu sentava o pau nos vereadores e denunciava prefeito e vereadores, inclusive minha mãe que no tempo era vereadora. Se consultarmos os anaes do Jornal A Tarde lá será encontrado o artigo-carta, diga-se de passagem, bastante duro. Ao visitar Itiúba, numa das raras vezes estarrecido e abismado constatei a monstruosidade e tive, confesso, séria altercação com minha mãe, então uma das vereadoras, inocentes úteis, aprovadoras da descaracterização da praça.
       
Itiúba anda para trás, cresce como rabo de cavalo, as pessoas parecem renegar a civilidade e se negam a alcançá-la. O artigo de Egnaldo é cheio de interrogações de uma terra que está sendo carcomida, qual câncer, pela incúria e pela irresponsabilidade de prefeitos e governantes omissos e distanciados da cultura de um povo

Para bens para o “Egui” voz que ainda consegue clamar

 

(Nota do site: Para acessar o texto do Egnaldo Paixão citado nesta crônica clique no link http://itiuba.info/crn608morrelentamenteitiuba.html)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 



 

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Itiúba do meu Tempo - Fernando P. de Carvalho


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