I

PAÔCO DE ITIÚBA

Max Brandão Cirne

 

 

 

     

 

Acredito que se tratava de uma corruptela de “Pau Oco”, costume das pessoas nascidas no sertão baiano. Assim era conhecido de todos o famoso PAÔCO homem simplório, que era conhecido e solicitado como carregador e descarregador de caminhões.

Se você precisava de uma pessoa forte que descarregasse um caminhão de açúcar, lá estava ele, o Paôco. Se você precisava de alguém com força bastante para carregar um volume pesado, lá estava ele, o Paôco.

Era um homem pequeno atarracado, porém dono de uma força quase que descomunal. Impressionante era que ele vestia-se diariamente de um surrado terno. Acho que presenteado por alguém que não o queria mais.Não o retirava nem mesmo quando estava sob o peso terrível dos sacos de açucar.

O Paôco era uma pessoa fenomenal. Olhos claros, cabelos bem aparadinhos e crespos, não sei de onde ele procedia. Nunca o vi com uma mulher. Talvez se satisfizesse lá pelas bandas do Calumbi ou do Galo Assanhado bairros com certa fama boemia no passado, hoje reduto de pacatos cidadãos e cidadãs. Sei e me lembro de que morava com uma velha Irmã na Praça Nova, aonde outrora, eram armados os circos e os parques de diversões que chegavam à cidade, aquela que os ignorantes dos políticos de Itiúba destruíram, cedendo ao Banco do Brasil para construir um monstrengo pré-moldado, e, casas para os empregados da instituição. Uma lástima.

Vendi na venda da minha mãe, muitos goles de jurubeba e de cachaça ao Paôco. Às vezes enchia a cara de álcool. Mas era um sujeito respeitador. Paôco já se foi deste mundo seguindo o caminho de todos os mortais. Mas a saudade e as recordações permanecem vivas como se fossem de ontem.

Viva o PAÔCO da minha adolescência!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 



 

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Itiúba do meu Tempo - Fernando P. de Carvalho


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