I

CAPITÃO "FERREIRA" E A CAAPORA

Max Brandão Cirne

 

 

     

Na verdade seria preferível dar o nome como a entidade é conhecida pelos sertanejos – Caipora. Aliás, o que sempre impliquei, embora não seja um filólogo, que, para quem não sabe, é o nome que se dá ao especialista da língua, que as palavras de origem indígena não deveriam sofrer remendos, muito menos correções, podendo, portanto, ser escritas e faladas, atribuídas ao espectro tanto caapora, quanto caipora.
    
O mesmo costumo falar quando escrevo sobre umbu, imbu e ambu, este menos usual, sem deixar para trás outros termos como caatinga, catinga, caçatinga, caaçatinga, naturalmente acrescentando aqui o meu antecipado pedido de desculpas, pela ignorância, se considerado ofensivo e  assim for considerado, aos críticos de plantão, desbancando sabiedades e inteligências.
    
Mas, do que quero e desejo falar mesmo é que, em artigo sobre tio Malaquias e o lobisomem de Itiúba, escrevi que com a chegada da luz elétrica na cidade as mulas de padres e os lobisomens desapareceram. É e foi falha nossa. Pelo menos não para o dileto CAPITÃO FERREIRA reformado da Polícia Militar, hoje refestelado fazendeiro em Itiúba, casualmente meu irmão, portanto sobrinho, também, do finado Malaquias, para quem não adianta ninguém tentar, nem de longe, convencê-lo de que a Caipora não existe de fato e de direito. Sai briga de faca e peixeira.
    
Tanto é verdade que ele azucrina-se, bate pés e teima, aposta e gasta dinheiro dizendo e afirmando que a dita existe e, que aparece em especial para seus cães de caçada, quase todos os dias quando sobe a uma das suas fazendas. Pois é, o homem possui duas. Tanto assevera que, quando ele sobe a serra, leva no bornal um pedaço de fumo de corda para que seja deixado espetado em algum galho seco para que a dita não o encante, fazendo-o perder-se, assim como aos seus cães sem “pedigree”. A oferenda é para evitar que a Caipora insatisfeita, faça-o perder-se e desnortear os cães, tudo no mais perfeito encantamento.
    
Achei justa a informação, pelo que fica assentado aqui que o sertanejo ainda vive e remoe crenças que o tempo não conseguiu apagar das mentes.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 



 

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Itiúba do meu Tempo - Fernando P. de Carvalho


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