I

ESPELHOS DE MINHA SAUDADE

Egnaldo Paixão

 

 

 



Há quanto tempo.
Eu era menino e a Escola
era pública e tinha o nome
de um político: Góes Calmon.
Quase não sei quem foi,
senão que é o nome
de um homem famoso.
Herói?
... Não sei. Educador?
Político? Penso que foi,
não importa. Era minha
Escola e nela briguei, amei,
fui vencido e vencedor.
Há quanto tempo.
Ficaram-me
lembranças boas,
minha primeira professora,
Avani Pires,
a merenda que eu
escondia dos colegas,
uma charrete,
dois irmãos, uma fazenda,
que diziam ser do Estado,
o Tanque do Valadares,
onde me sentia dono
dos peixinhos matinais...
Estação da Leste,
Valmir, Duquinha, Argeu,
Manoel Carlos, Eleneide,
Mourinha, tantos.
Há quanto tempo.
Uma biblioteca,
e os livros de Monteiro Lobato
(li todos), Geografia de Benta,
Caçadas de Pedrinho,
Visconde de Sabugosa,
História do Mundo
para Crianças,
Os Doze Trabalhos de Hércules.
Há quanto tempo.
Uma corneta que me tomaram
quando eu tinha 9 anos,
fiquei aos prantos, já era quase músico.
Os recreios, desavenças,
meus amores recônditos,
talvez preparando o poeta de hoje.
Há quanto tempo.
Eu bem me lembro,
ficava horas inteiras,
olhando uma estrada...
uma estrada por onde
viajava uma charrete.
Uma charrete que levava
dois irmãos...
dois irmãos que estudavam
na Escola...
Lucy e Antônio,
espelhos de minha saudade.
Saudade de minha
Escola!                                                                                                 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 



 

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Itiúba do meu Tempo - Fernando P. de Carvalho


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