I

O BAR DO ZÉ DANTAS II

Max Brandão Cirne

 

 

  

 

Era um ponto aonde costumávamos ficar e permanecer a olhar as partidas de sinuca. Também podíamos jogar naquelas sinucas enormes do “seo” Zé Dantas que não existia perigo de sermos presos nem a polícia nos flagrar. Tudo, ou quase tudo era permitido. Joguei sinuca no bar muitas vezes.
    
O que me recordo mesmo era do famoso “refresco de morango” que era servido e vendido em pequenos copos, estupidamente gelado, a ponto de doer nas têmporas. “Seo” Zé Dantas era um homem corpulento e um tanto ríspido sempre a fumar aquele charutão mastigado de bêbado, olhos claros e cabelos lisos, mas não dava trela para meninos.
    
Sabemos hoje que o refresco ali servido era feito de essência de morango que era adquirida em mãos de cacheiros viajantes, e, somente sob encomenda. Já tentei por várias vezes repetir aquela gostosura com frutas maduras de morango, sendo debalde. Ficou fixado na minha memória para sempre o sabor indescritível daquele refresco como chamávamos, mas que jamais consegui repetir a fórmula.
    
Hoje passados mais de cinquenta anos é só saudades do refresco do Bar do Zé Dantas.

 

                                                                                                    

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Itiúba do meu Tempo - Fernando P. de Carvalho


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