I

SAXOFONISTA NILSON BACALHAU

Egnaldo Paixão

 

 

  

 



Quando você morreu há dez, talvez quinze anos,
tive vontade de chorar, mas lembrei-me
que você não iria gostar...
... e que já não estava comigo para dizer-me:
"rapaz! pare com isso!
olhe a noite, vamos sair, beber
tocar e cantar!"
Sempre ébrio, no entanto, lúcido e músico...
Chegou a sentar praça, foi soldado de polícia,
mas como um homem como você,
rebelde e puro,
enfrentar a caserna? Era necessário
que tivesse, o que você nunca teve, jogo de cintura,
paciência, malícia...
Depois de um ano de fardado,
tirou férias, veio à Itiúba, rever amigos,
muitos dos que por aqui havia deixado...
E nunca mais voltou. Voltar, àquele
ambiente chato?
Poderia lá fazer suas serenatas?
Beber cachaça de hora em hora
no bar do Luis Garrafinha, de pernas cruzadas,
olhando o mundo sem dizer nada?
Mais ou menos assim foi você, Nilson Bacalhau,
exímio saxofonista itiubense morto há dez,
talvez quinze anos...
Músico de bom ouvido, quase não lia partitura.
Mas, foi extremamente cordato,
extremamente amigo e raro.

 

                                                                                                    

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Itiúba do meu Tempo - Fernando P. de Carvalho


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