Lembranças dos Carnavais

Valmir Simões

 

 

Naquele tempo a cidade de Itiúba tinha um dos melhores carnavais da região. Os filhos da terra que residiam em Salvador e em outros lugares faziam uma longa viagem, mas não deixavam de comparecer à grande festa.


Por vários anos seguidos uma orquestra caiu no gosto dos foliões. Tinha o nome de “Pintinho e Seus Pupilos” e vinha da cidade de Catu (BA).

O pessoal que vinha de trem chegava já na Sexta–Feira.

Durante o carnaval o lança perfume era liberado e vendido em unidades ou caixas com três unidades. As marcas eram Rodouro em embalagem de metal dourado e Colombina em embalagem de vidro. As pessoas usavam óculos de plástico, alguns tinham até bordados de arminho, como enfeites para o sexo feminino. A aceitação do lança-perfume pelo público era muito grande. Alguns cheiravam fortemente o lenço molhado de lança-perfume (chamado de porre).

O carnaval sempre começava no domingo e terminava rigorosamente na terça-feira. Na domingo saia do largo da Estação Férrea a “Mulinha “ do João Martins, pai do Boca, acompanhada de um bloco de mascarados trajando roupas de chita florida (um tecido muito barato e popular da época). Também apareciam na rua vários “caretas” trazendo sempre um cabo de vassoura na mão. A meninada gritava: - careta malagueta da Pimenta seca!!! E o careta saia em disparada atrás da garotada. Era muito divertido. Na frente do Bar do Carlos Pires e do Bar Zé Dantas, o movimento era intenso. Pessoas bebendo, farreando a vontade durante o dia para à noite desfrutarem da grande festa no famoso “Rinque” da Sociedade União 2 de Julho (Rinque era uma grande área descoberta da 2 de Julho, onde eram realizadas festas com grande público).

Nos bailes do carnaval muita gente ficava de fora, pois o comportamento era um dos fatores primordiais para o ingresso no ambiente. A tarde existia um baile infantil no salão interno, totalmente dedicado às crianças. À noite entrava em ação a orquestra do Pintinho, e no Rinque todo enfeitado de serpentina com o chão coberto de confete, começava o baile, onde o aroma do lança perfume tinha destaque. As mesas rodeavam toda a área e garçons habilidosos corriam de um lado para outro servindo bebidas e comidas. Ao fundo do rinque ficava a estrada de ferro e às 22 horas do domingo de carnaval passava o trem noturno com destino a Salvador e os passageiros, olhando pelas janelas, ficavam deslumbrados com a festa.

Ao clarear do dia tudo terminava. Quase todos os namoros e paqueras do Carnaval acabavam na quarta-feira com a despedida dos que iam embora e dos que ficavam a esperar um outro carnaval.

 

SOBRE OS CARNAVAIS DE ITIÚBA LEIA TAMBÉM:
- BEBIDAS PARA OS MÚSICOS (pág.73) - Fernando P. de Carvalho
- BENDITO QUEROSENE (pág.94) - Djalma dos Anjos
- MONOPÓLIO QUEBRADO (pág. 87) - Ivan de Carvalho
- O MASCARADO MISTERIOSO (pág.15) - Hugo Pinto de Carvalho
- O DESCONHECIDO (pág.30) - Djalma dos Anjos
- O TEIA (pág.42) - Fernando P. de Carvalho

- O CAVALO BRANCO DO CARNAVAL(pág72) - Hugo Pinto de Carvalho

- A CHUVA DE PEDRAS (pag. 01) - Fernando P. de Carvalho

- CARETA MALAGUETA (pág.360) - Valmir Simões

- A FANTASIA DE CAÇADOR (pág.380) - Hugo Pinto de Carvalho

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Itiúba do meu Tempo - Fernando P. de Carvalho

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