I

O BAR E O BEIJÁ

Egnaldo Paixão

 

 

  

 





 

Os homens bem postos da cidade,
para ele convergiam...

A Igreja não o tolerava...
Era ponto certo de quem queria
fugir do tédio à alegria.

Pobres e ricos nele permaneciam
... manhãs inteiras administrando as fragilidades
de seus lares frios.

Mortais procurando o que não sabiam
onde encontrar senão no álcool e na conversa à toa.
E o lugar bom era o Bar do Carlos...

"Beijá, limpa a mesa que viajante vai chegar de trem.
Beijá, arranja puta que viajante vai chegar à noite."

Beijá era o apelido de um homem de pouca mente,
servidor gratúito do Bar Central.

Creio que ficava por lá também para fugir do mundo.
Era tão infeliz quanto outros, que pelo menos
tinham casas e mulheres entediadas...

Beijá, pobre injustiçado. Não tinha casa,
não tinha mulher, não tinha nada!

                                                                                                    

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Itiúba do meu Tempo - Fernando P. de Carvalho


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