I

A ESTAÇÃO DA CALÇADA

Max Brandão Cirne

 

 

  
 Toda tarde de sábado a Estação da Calçada, em Salvador, ficava cheia de pessoas que lá comparecia para embarcar no trem. Muitas iam apenas para ver quem estava indo para o interior aproveitando para encontrar-se com amigos e conterrâneos, saber notícias e se inteirar de alguma novidade vinda do interior.
        
O trem partia na parte da tarde, e, era muito comum as pessoas reservarem nas suas agendas, aquela tarde de sábado para uma passada na Estação da Calçada. Muitos aproveitavam para enviar cartinhas e pequenas encomendas, pedidos para transmitirem aos seus, lá nos interiores, mandar dizer que tudo estava bem, enfim, era uma festa em que se punham os assuntos em dia e as conversas beiravam os acontecimentos.
        
Inegavelmente a vontade de embarcar naquele poético e romântico trem era muito grande. Na plataforma permanecíamos até o trem dobrar na quase esquina do Lobato em direção à Ponte São João no seu resfolegar malemolente em direção ao interior deixando e apanhando passageiros na sua viagem longa.
        
Na segunda-feira, mais difuso, porém não menor a afluência de conterrâneos, marcava a chegada do famoso trem noturno que passava em Itiúba entre 19h00min e 20h00min,  para apanhar ou receber pequenas encomendas trazidas de favor, por alguém que chegava da terrinha.
        
Com o cruento golpe militar de 1964 foi questão de pouco tempo para os militares entreguistas venderem a preço de banana, todas as linhas e trens, desaparecendo uma parte da história de todo o Brasil e, em especial dos itiubenses.





 

 

 

 

                                                                                                    

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Itiúba do meu Tempo - Fernando P. de Carvalho


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