I

OS PEDERASTAS DE ITIÚBA

Max Brandão Cirne

 

 

  
 

 Naqueles tempos não existiam tantos pederastas em Itiúba. Como resultado da evolução por que passa a sociedade, os tempos sempre mudam, mas permanece a essência que essa não desaparece. Refiro-me até ao modo um tanto reservado e conservador daqueles dois senhores que habitavam sob o céu de Itiúba. Eram dois velhos sem vergonha, mas que conforme se noticiava por debaixo dos panos, servia e desafogava a alguns rapazinhos ávidos e curiosos, conquistados pelos dois senhores.

Vejo que eles são evitados nas crônicas de “Itiúba do meu tempo” como se os tais fossem portadores de lepra. Não estamos homenageando de modo algum, mas, apenas recordando quanto eram raros, naqueles bons tempos em que os homens eram homens, e, raramente alguém passava a ser “falso à pátria”.

Com o correr dos tempos a coisa ficou mais negra. Hoje lésbicas e pederastas existem as dúzias, quando rapazes do meu tempo, tínhamos orgulho de serem raros em nossa cidade. Hoje são encontrados aos montes e em qualquer direção. Virou uma praga desgraçada. São chamados, modernamente, de gays e, sabe-se que até passeatas gays estão fazendo.
         

Estou a quinhentos mil anos luz de distancia da civilização. Quero continuar sendo um miserável e atrasado itiubeiro.

 

 

 

 

                                                                                                    

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Itiúba do meu Tempo - Fernando P. de Carvalho


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