O Comedor de Sapos

Valmir Simões

 

 

O episódio aconteceu no Bar Central do Carlos Pires em um sábado à noite. Segundo o comentário das pessoas presentes a cena foi de espantar. Entrou no Bar um elemento já cambaleando de tanta pinga tomada em outro local. Ficou calado em um canto, junto à área do reservado, observando o movimento de pessoas que jogavam sinuca e bilhar.


Ali bem próximo, o Beijá estava tentando puxar alguma coisa atrás da tão conhecida geladeira gigante de madeira e portas com visor de vidro.

Apareceram algumas pessoas para ajudá-lo, pegaram uma vassoura e com bastante trabalho retiraram um imenso sapo cururu que estava atrás da geladeira. Quando iam jogar o bicho para fora do bar o elemento cheio de pinga levantou-se e disse:

– Deixa comigo que eu como ele vivo.

Tal procedimento fez com que todos os presentes se levantassem e fizessem uma roda em torno do cara. Ele, então, fez uma exigência:

– Paguem uma garrafa de Chora na Rampa (marca de cachaça muito apreciada na época) e eu comerei o sapo vivo agora.

A garrafa de pinga foi logo colocada a sua disposição e ele abaixou-se pegou o sapo e deu uma tremenda dentada no coitado ficando com a perna do bicho dependurada na boca.

Teve gente que saiu de porta afora sem acreditar no que estava vendo. Foi uma cena horrível, como contavam aqueles que presenciaram o fato.

 

SOBRE OS BARES DE ITIÚBA LEIA TAMBÉM:
- O BAR DO CARLOS PIRES (pág.39) - Fernando P. de Carvalho
- 0 BAR DO ZÉ DANTAS (pág.35) - Hugo Pinto de Carvalho
- O COMEDOR DE SAPOS (pág.109) - Valmir Simões

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Itiúba do meu Tempo - Fernando P. de Carvalho

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