I

ASSALTO AO CORREIO DE ITIÚBA

Max Brandão Cirne

 

 

  
 

Se a memória não está enganando o escriba, foi por volta do início dos anos 1960 que um fato inusitado ocorreu em Itiúba gerando dores de cabeça para pessoas inocentes, inclusive.
         

Chegaram para trabalhar na agencia dos correios de Itiúba duas mulheres. Uma de nome franzina de cabelos curtos, e, outra gorduchinha e simpática. Dentro de alguns poucos meses, a franzina assumiu sua personalidade, cortando os cabelos bem curtinhos como os homens, e passou a vestir-se de calças masculinas, inclusive as camisas e a falar grosso. A gorinha era a “menina”. As duas viviam em mancebia feminina próprio das lésbicas assumidas.
       

As pessoas que iam ganhar a vida em São Paulo enviavam dinheiro para os seus familiares que chegava dentro de envelopes apropriados, com um espelho transparente na face indicando a quantia. Era o chamado envio postal.
        

O “casal” que morava na própria agencia, de repente começou a farrear e adquirir animais de montaria, promovendo festas homéricas regadas a muita bebida.
       

De repente, estourou o noticiário. O correio havia sido assaltado na madrugada, as “mulheres” foram, na sua versão, amarradas e espancadas, o dinheiro havia sumido pretensamente levado pelos misteriosos ladrões. Investigações, viagens para a cidade vizinha de Queimadas, apurações e investigações da Polícia Federal e outras, até que tudo foi desmascarado. As duas haviam surrupiado o dinheiro da agencia e dos pobres que iam para São Paulo, simularam o assalto, numa tentativa para encobrir tanta farra com o dinheiro alheio, já que não existe nada que, feito às escondidas, não venha um dia a ser descoberto.
        

Os demais funcionários que nada tiveram com as estripulias das “meninas boiolas” tiveram de comparecer em viagens pontuais até que o processo terminou com a apuração e comprovação da ladroagem das duas.
      

A farsa foi desmontada, as duas perderam os empregos e se escafederam pelo mundo do meu Deus, depois do vexame e da vergonha que levaram para a cidade.

 

 

                                                                                                    

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Itiúba do meu Tempo - Fernando P. de Carvalho


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