I

SOBRE O PAÔCO

Max Brandão Cirne

 

 

  
 

Como sou um irremediável palpiteiro e gosto, sim de dar palpites em algumas coisas, depois de muito matutar, cheguei a uma provável explicação certa sobre o apelido do nosso personagem que viveu em Itiúba chamado e conhecido por paôco.
       

Acredito tratar-se, evidentemente, de uma corruptela da expressão P A U   Õ C O”. Essa expressão surgiu faz muito tempo, desde o Brasil Colônia, em especial nas minas da então Minas Gerais. Para escapar dos pesados impostos chamado “O quinto” que era 20% (vinte por cento)do ouro e outros metais retirados da terra pelos mineiros, o governo Português estipulou o imposto que era pago por todos.
      

Para escapar da escorcha do governo Português e burlar a alfândega, os mineiros faziam furos na base das estatuas que fossem as imagens de esculturas, que outra coisa não era senão os chamados “santos” da igreja católica e ali, no buraco, que era feito na base, enchiam de diamantes e ouro além de outras pedrarias preciosas até o artifício ser descoberto com penas terríveis de morte e de degredo.
       

A expressão “santinho do pau oco” nasceu daí, para explicar pessoas que se faziam de santas para enganar outras pessoas. É possível, e, só os mais antigos, podem deslindar a questão, que o Paôco fosse um sujeito arteiro, daí o merecido apelido. Mas nada é de fato certo. São meras conjecturas. E estamos conversados.

 

 

 

                                                                                                    

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Itiúba do meu Tempo - Fernando P. de Carvalho


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