A marmelada Colombo

Valmir Simões

Quando garoto eu era muito sapeca e tinha uns primos que se não era iguais era muito piores.

Certa vez estava no armazém do meu pai (Zé Simões) e lá apareceu o primo Luiz Antônio, neto do Sr. João de Castro, e me perguntou se eu já tinha comido um doce chamado marmelada Colombo. Eu disse que não e ele falou:

– Se você estiver a fim eu sei de um lugar que tem um monte de latas de marmelada Colombo.

Saímos e fomos até a casa do seu avô que ficava logo em frente. Como os seus idosos avós ficavam mais na mercearia, a área do depósito ficou vulnerável e iniciamos a operação. O Luiz Antonio pegou uma escada de madeira e subimos pelo o outro lado da parede. Conseguimos puxar um ferrolho grande que trancava a porta de duas bandas e, após uma forcinha, a porta se abriu. De cara nos deparamos com um grande cofre verde, marca Luzitano, que na frente estampava em letras amarelas o nome do avô do Luiz Antônio. Ao lado estavam varias mercadorias e, entre elas, a tal famosa marmelada. Pegamos um saco vazio de farinha de trigo e colocamos varias latas. Muitas delas estavam com as bordas já enferrujadas e, acredito, com a validade vencida. Naquele tempo não existia obrigatoriedade do fabricante informar data de vencimento na embalagem.

De posse de tantas latas nos perguntamos como abri-las? Fui até a mercearia do meu pai e trouxe um martelo e um enorme prego 4x4, daqueles de pregar madeira nas cumeeiras das casas. Ao furar a lata e pressioná-la saia um filete de doce da grossura de um macarrão e agente se deliciava. Fome para almoçar mais tarde ninguém tinha.

Somente, agora depois de uns 50 anos, é que este caso está sendo revelado, para mostrar as peraltices dos meninos daquela época.

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