I

ITIÚBA 79 ANOS DEPOIS

Egnaldo Paixão

 

 

  
 

 

 

Tantos podiam contar tua história, 
mas poucos sabem-na.
Em meu tempo, era mais difícil.
Havia o Cine-Theatro Ideal, mas foi demolido.
Manoel Pinto morreu pobre
porque sonhou demais.
Havia o Cine-Itiúba, mas 
deixou de existir após anos
e anos levando alegria ao povo.
Duas filarmônicas, 8 de dezembro
e 2 de julho, entraram
em declínio e há cinquenta
anos já estavam mortas...
As tuas manifestações populares
Mulinha do Carnaval, Boi da Tapera
Jaraguá morreram... morreram todas!
Das tuas serenatas, nem há resquícios mais.
Teus atores amadores de teatro,
em que espelho guardaram suas faces tristes?
Lapinhas Noite de Natal Coreto na praça,
fogos de artifícios por aqui produzidos,
vinhos de Manoel Raimundo, Rádio
Cultural, Trem de passageiros,
o saxofone do Hélio Simões,
a voz de Ary Silva e os belos solos de sax,
o trompete afinado de Hugo Carvalho,
posterior ao sopro estridente e belo do Maninho,
as exigências pesadas do Maestro Evilásio,
o humor estonteante de meu Mestre Bugué,
o Circo do Pedro Coruja,
a libertinagem das Sete Casas,
o Bar Central de Carlos Pires,
que tinha jeito de centro cultural esdrúxulo,
os carnavais da 2 de Julho,
tudo tudo acabou... tudo acabou 
porque os homens passam, mas o que deixam
se não é cuidado,
se que não é guardado,
nem cultivado,
acaba!

                                                                                                

                                                                                             

 

                                                                                                    

 

 

 

 

 

 

 

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Itiúba do meu Tempo - Fernando P. de Carvalho


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