I

NO TRONCO DO UMBUZEIRO

Humberto Pinto de Carvalho

 

 

  
 

Entalhar suas iniciais nos troncos das árvores com uma faca, canivete ou caco de vidro, era uma maneira amável da demonstração de carinho. Os extremamentes apaixonados esculpiam os nomes dos pombinhos após juras de amor eterno.

Lembro que as árvores escolhidas para essas manifestações juvenis, deveriam ter casca macia para facilitar o inebriante trabalho da confecção quando duplamente compactuado pelo casal de namorados. Lá ficava registrado para sempre um ato inconsciente praticado pelos jovens do meu tempo. Hoje recorro ao velho ditado: “em se plantando tudo dá” para afirmar que o tempo, esse malvado, apaga as boas recordações. Sinceramente, não me lembro onde gravei essas declarações. Queira Deus que uma daquelas “lindas pastoras” ao tomar conhecimento dessas verdades, comunguem comigo, que juntos, com canivete, escrevemos uma página de amor perdida naquele umbuzeiro que surdo e mudo presenciou a solidão a dois limitada da frase de sete letras que é o número da sorte “Você e Eu’’. Espero que lá tenha ficado, à margem direita do Açude Jenipapo, a assinatura do pacto indissolúvel entre dois jovens inebriados pelas ilusões de uma semente que não germinou.

Só e somente só o tempo de vida pode guardar esses sinais indeléveis do bem-quer.

 

 

                                                                                                

                                                                                             

 

                                                                                                    

 

 

 

 

 

 

 

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Itiúba do meu Tempo - Fernando P. de Carvalho


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