A Escola de Datilografia

Valmir Simões

 

 

Naquele tempo aprender a escrever à máquina era muito importante. Os pais se orgulhavam de ter um filho com a profissão.


Visando este meio de ganhar mais uma renda a professora Francina, nora do Sinhozão, inaugurou uma escola de datilografia, não me recordo se era a única da cidade, mas conseguiu uma boa quantidade de alunos. Ela era uma senhora educada e de bons princípios. A escola funcionava na sala da frente de sua residência. Tinha duas máquinas Reminghton Rand e uma Olímpia. Tenho uma boa lembrança de tudo. No primeiro dia de aula foi como se eu estivesse batendo de frente com algo nunca visto em minha vida.

Eu, às vezes, sentia-me envergonhado quando as pessoas chegavam a minha casa e, de cara, meus pais dirigindo-se a mim diziam:

– Conta para eles, Valmir, o que você já está escrevendo na máquina da escola de D. Francina!

Eu ainda “engatinhava” na primeira lição escrevendo as letras ASDFG/// ÇLKJH. Fiquei por umas duas semanas na mesma lição. Aos poucos fui desenvolvendo, impondo mais velocidade e diminuindo os erros em textos. Os mais adiantados já escreviam com mais desenvoltura. A professora colocava sobre as teclas um anteparo feito de zinco e preso na base da máquina, para forçar os alunos a escreverem olhando apenas para o papel que estava na máquina.

Os pais dos alunos tinham por hábito colocar na parede da sala da casa um quadro com o diploma de datilografia e uma foto do filho. Como já disse era um orgulho para eles.

Hoje em dia a profissão não existe mais.

 

SOBRE AS ESCOLAS DE ITIÚBA LEIA TAMBÉM:

- A ESCOLA GOES CALMON II (pág.74) - Ivan de Carvalho
- ESCOLA GOES CALMON 3 (pág.141) - Valmir Simões
- A PROVA DOS NOVES (pág. 99) - Valmir Simões
- O SÁBIO QUITU (pág.80) - Ivan de Carvalho

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Itiúba do meu Tempo - Fernando P. de Carvalho

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