I

DOR DE FACÃO, DOR DE BURRO E DOR DE VIADO

Fernando Pinto de Carvalho

 

 

 

Dor de facão, dor de burro e dor de viado. Francamente, nunca entendi porque deram  esses nomes tão estranhos àquela dorzinha de pontadas que se sente logo abaixo das costelas, depois de algum esforço, como correr ou nadar. Na Itiúba, no meu tempo de criança, o nome usado era o pior dos três: dor de viado. Acredito que se viado sentir alguma dor, provavelmente não será nesse local. Em algumas regiões amenizam um pouco, chamando-a de dor de veado, mas será que o animal sente mesmo esse tipo de dor?

Não existia - e acho que até hoje ainda não existe - remédio para a chata dorzinha, então apelava-se para as crendices, como colocar folhas verdes sobre o local da dor ou colocar uma moeda no mesmo local e, acreditem, depois de um certo tempo a dor passava, porém, eu acho que era só pela passagem do tempo mesmo ou por uma espécie de efeito placebo.

Ainda hoje não existe uma explicação única para a tal dor.  Citarei três encontradas na internet:

a) Cãibra no diafragma que é um músculo que fica entre a cavidade abdominal e torácica como se estivesse dividindo seu tronco horizontalmente ao meio, separando o abdômen do peito e é o principal músculo responsável pela respiração. Por isso, quando não estamos bem treinados e forçamos numa corrida, por exemplo, o diafragma que não está acostumado ao sobe e desce de uma respiração mais forte, tem essa espécie de cãibra nos forçando a diminuir

b) Insuficiência circulatória. O coração não  muito "treinado", não consegue completar o bombeamento do sangue devido ao esforço que recebe, então, o sangue venoso pode ficar acumulado em dois órgãos: o fígado (quando a gente sente a dor do lado direito) e no baço (quando a gente sente a dor do lado esquerdo).

b) Digestivo. Quando a gente come, o sangue se concentra nos órgãos abdominais congestionando-os. Se a gente não respeita esse processo de digestão, que dura entre 3 e 4 horas depois das principais refeições, sentimos essa mesma pontada.

Embora existam várias explicações, com causas diferentes, para  a mesma dor, devemos lembrar que qualquer dor é sempre um alerta para cuidarmos de nosso corpo.

                                                                                                

                                                                                             

 

                                                                                                    

 

 

 

 

 

 

 

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Itiúba do meu Tempo - Fernando P. de Carvalho


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