"Seu" Piroquinha e o Cachorro

Valmir Simões

 

 

Lembro-me muito bem que em frente ao Açougue Municipal de Itiúba, localizado no centro da cidade, ficavam os açougueiros aguardando os fregueses e jogando conversa fora, na maioria das vezes falando da vida alheia. Eu ficava sempre ali por perto e ouvia muita coisa engraçada, como a que vou contar agora.


Certa vez “seu” Piroquinha, pessoa bastante conhecida de todos, comprou um quilo de fígado e naquele tempo os açougueiros furavam o fígado (ou a carne) e colocavam uma pequena palha de ouricurí no orifício para facilitar a condução. “Seu” Piroquinha prendeu a palha entre os dedos e com o produto exposto às contaminações dirigiu-se a sua residência. Logo ao sair do açougue alguém gritou:

– “Seu” Piroquinha! Olha o cachorro atrás!

“Seu” Piroquinha deu uma levantada rápida no braço e o fígado desprendeu-se da palha e foi jogado longe. O cachorro não existia, foi apenas brincadeira de um malfeitor e ele ficou furioso.

Os tempos passaram e, de outra vez, ”seu” Piroquinha tornou comprar um quilo de fígado no açougue e ao sair o mesmo malfeitor gritou bem alto:

– “Seu” Piroquinha! Cuidado com o cachorro.

E ele nem sequer olhou para trás e respondeu bem alto:

– Estou muito acordado. Você pensa que eu esqueci o que aconteceu da outra vez?

Desta vez, porém, o cachorro realmente existia e abocanhou de uma só vez o quilo de fígado do “seu” Piroquinha. Ele ficou louco de raiva, esbravejando bastante e nunca mais foi comprar fígado no açougue.

 

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