I

TANQUE DA NAÇÃO

Humberto Pinto de Carvalho

 


 

Desconheço a razão da escolha do nome, desde início do Século passado, para uma pequena lagoa situada num Povoado encravado no sertão baiano. Desde pequeno que ouço essa denominação “da Nação”. Por não entenderem ou fazendo gozação, alguns chamavam e ainda chamam, até hoje, de Tanque da Danação, do verbo “danar” que significa danificar, perverter ou estragar. Por se tratar de uma referência itiubense, o velho Tanque da Nação é preservado. Primeiro servia para matar a sede dos animais que perambulavam pelas ruas e dos rebanhos criados nas adjacências. Depois a Prefeitura aumentou sua capacidade de armazenamento de água e murou. Pelo lado de fora foram construídos bebedouros que eram abastecidos pelos donos dos animais com baldes carregados na “mão grande”.

Após a emancipação política, em 1935, o Prefeito Belarmino Pinto urbanizou e plantou coqueiros em volta. Passaram anos e em 1950/54 o Prefeito Benedito Pinto (Pombinho) replantou palmeiras e improvisou um jardim. Em 1958/1962 o Prefeito Wagner Mello inovou o ambiente iluminando a área adjacente. Na administração do Prefeito Valadares (1962/1966), para impedir as passagens das boiadas pelo centro da cidade, decretou o fim dos bebedouros públicos.  Nas 3 passagens do Prefeito Virgílio Rodrigues foram feitos melhoramentos, sempre com cuidado para não desfigurar a linda fonte.  O mesmo aconteceu nas administrações José Batista de Oliveira (Zeca) e Antônio Manoel Neto (Netinho). Com a chegada do Prefeito Sandro Vespasiani surgiu o chafariz no centro. Uma inovação luminosa com jatos d’água, que fez renasceu o destaque da útil e bela fonte, com o seu nível da água mantido pelas enxurradas vindas da Serra e da sua minação. O sangradouro, que era a céu aberto, agora é coberto e atravessa as ruas sem mostrar a degradação ambiental que causava.

Nunca é tarde para relembrar que as residências locais recebiam “água de gasto” deste manancial através dos jumentos carregados com 4 barris de madeira, com capacidade 20 litros cada. Havia frotas conduzidas pelos “aguadeiros”, que cobravam por viagem.

Outras aguadas como Vintém, Cacimba Funda, Coité, Poço do Cachorro e Tanque Velho, com água doce, também forneciam o precioso liquido com o arcaico sistema “jegáico”.

Guarda também algumas historietas como a da criação dos patos de nosso inesquecível Edvaldo Andrade que foi dizimada pelos músicos e seresteiros da época. Logo depois apareceu o jacaré  que se tornou atração ao meio-dia, quando o pequeno animal tomava banho de sol trepado num pedaço de tábua flutuante. Sumiu da noite-para- o dia. Certamente teve o mesmo destino dos patos assados nos fornos das padarias na calada da noite.

                                                              

 

 

 

 

 

 

 

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Itiúba do meu Tempo - Fernando P. de Carvalho


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