I

EGNALDO DE SOUZA PAIXÃO, GRANDE EXEMPLO

Aroldo Pinto de Azeredo


 

 

                                                    

                                       

Mas, trazendo para nossa época, a mim particularmente, desperta minha atenção, a inteligência de um cidadão de Itiúba, o advogado, poeta, delegado, político, músico, maestro Egnaldo de Souza Paixão, talvez um dos melhores advogados da Bahia, mas que se dedica quase que integralmente, hoje, a maior paixão de sua vida: a música. Eguí, como era conhecido pelos íntimos, ou como diz o povão Dr. Eguí, é um cidadão exemplar, com uma postura e retidão dignas de serem seguidas. Com uma disciplina quase militar, toca com dificuldades, o que costumo dizer, o orgulho itiubense, uma Escola e Filarmônica denominada 04 de janeiro, algo lindo de ser visto e aplaudido de pé. Mas, seu rico currículo, conforme pesquisei começou na base do esforço mesmo. Aluno dedicado, desde as séries iniciais, muito elogiado pela sua professora Avani Pires, nunca parou. Formou-se com maestria, em Direito na UFBA, tendo morado até em convento. Fico imaginando, porque um homem destes, não governou nossa municipalidade? Mas, Egnaldo Paixão, se contentou em legislar, tendo sido vereador por vários mandatos, contribuído muito na feitura ou aperfeiçoamento de nossa Lei Orgânica.

Deus dará muitos anos de vida ao nosso mestre, Dr. Egnaldo de Souza Paixão, mas com certeza já nos deixou seu grande legado, escrevendo produtivamente seu nome em nossa História. Salvador, Cachoeira de São Félix, Santo Amaro, sabem que não estão sozinhas, pois que temos em Itiúba, graças ao nosso Dr. Eguí, uma das melhores Filarmônicas da Bahia. Lembro-me que entreguei, no ano de 2007, orgulhosamente ao nosso governador da Bahia, Jaques Wagner uma carta que seus alunos pediam instrumentos musicais. Os filhos de Itiúba não podem, jamais deixar morrer esse maravilhoso projeto.

Do seu extenso acervo literário, de suas várias composições, achei interessante este que coloco abaixo, de Egnaldo de Souza Paixão, homem que me inspira, pela sua notada inteligência, seu amor e dedicação a nossa amada Itiúba. Dr. Eguí, por assim dizer, poderia ser chamado de anjo de nossa juventude, pelo fato de seu projeto, incentivar o progresso e concentração dos jovens, ajudando-os a trilhar uma vida sadia, com muita música e cultura, que faz tão bem nossa alma.

Ah! Aí vai algo muito saudosista que toca o coração de quem, como eu, estudei no Colégio Góes Calmon:

Há quanto tempo.
Eu era menino e a Escola
era pública e tinha o nome
de um político: Góes Calmon.
Quase não sei quem foi,
senão que é o nome
de um homem famoso.
Herói?
… Não sei. Educador?
Político? Penso que foi,
não importa. Era minha
Escola e nela briguei, amei,
fui vencido e vencedor.
Há quanto tempo.
Ficaram-me
lembranças boas,
minha primeira professora,
Avani Pires,
a merenda que eu
escondia dos colegas,
uma charrete,
dois irmãos, uma fazenda,
que diziam ser do Estado,
o Tanque do Valadares,
onde me sentia dono
dos peixinhos matinais…
Estação da Leste,
Valmir, Duquinha, Argeu,
Manoel Carlos, Eleneide,
Mourinha, tantos.
Há quanto tempo.
Uma biblioteca,
e os livros de Monteiro Lobato
(li todos), Geografia de Benta,
Caçadas de Pedrinho,
Visconde de Sabugosa,
História do Mundo
para Crianças,
Os Doze Trabalhos de Hércules.
Há quanto tempo.
Uma corneta que me tomaram
quando eu tinha 9 anos,
fiquei aos prantos, já era quase músico.
Os recreios, desavenças,
meus amores recônditos,
talvez preparando o poeta de hoje.
Há quanto tempo.
Eu bem me lembro,
ficava horas inteiras,
olhando uma estrada…
uma estrada por onde
viajava uma charrete.
Uma charrete que levava
dois irmãos…
dois irmãos que estudavam
na Escola…
Lucy e Antônio,
espelhos de minha saudade.
Saudade de minha
Escola!

Autor: Egnaldo Paixão

                                                              

 

 

 

 

 

 

 


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Itiúba do meu Tempo - Fernando P. de Carvalho


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