Itiúba/São Paulo: A ida e a volta

Valmir Simões




Naquele tempo, muitos itiubenses viajavam para São Paulo em busca de uma vida melhor, pois a cidade não oferecia  condições suficientes para proporcionar um trabalho digno aos seus filhos.

O meio de transporte era precário e a viagem tornava-se muito difícil. Um dos pioneiros a levar passageiros para São Paulo foi o Sr. Valadares que era proprietário de um caminhão Chevrolet Brasil, que tinha como motorista, o Sr. Geraldo, pessoa muito dedicada, responsável e bastante atenciosa com os passageiros, sendo este um dos motivos da preferência de muitos passageiros e de seus familiares.

O caminhão era coberto de lona, os bancos de madeira eram acolchoados, para não maltratar demais e dar um melhor conforto na viagem, e os passageiros, além de farta bagagem, levavam como alimentação galinha assada e farofa, que era a comida de toda a viagem, pois não perecia com facilidade.

A saída acontecia sempre em torno de 5 horas da manhã, do centro da cidade, precisamente da frente da loja do Teia. Alguns amigos meus embarcaram nesta e até hoje ficaram por lá onde constituíram família e se deram bem. Alguns, mesmo fincando raízes na Paulicéia, retornavam para visitar os seus pais e parentes. Lembro-me de um amigo do meu pai, que foi para São Paulo e quando retornou a passeio, já estava com sotaque paulista e apareceu trajando, em pleno clima quente de Itiúba, uma roupa de casimira, uma grossa camisa, chapéu verde de feltro, com uma pequena pena de pavão do lado e na mão um rádio portátil ligado. Este era o traje do verdadeiro tabaréu da caatinga quando chegava de São Paulo. Alguns deles, pelo longo tempo que residiram em São Paulo, ao chegarem a Itiúba cheios de sotaques e manias, desconheciam os produtos da região tais como: umbu, rapadura, fumo de corda, etc. Era motivo de muita gozação daqueles que o conheceram convivendo com tudo aquilo.

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Itiúba do meu Tempo - Fernando P. de Carvalho

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