O Sinal de TV

Valmir Simões

 

 

Muitas coisas engraçadas ocorreram na nossa querida cidade e, apesar dos meus 60 anos, graças a Deus ainda tenho uma boa memória e muitos casos para contar. São coisas das quais eu me lembro como se tivessem acontecido hoje, porém ocorreram, na verdade, há mais de 40 anos.


Itiúba, naquele tempo, não tinha energia elétrica durante o dia. O motor-gerador era ligado às 18h e desligado às 22h30min. Porém, antes de desligá-lo, era dado um sinal (a luz diminuía a sua intensidade duas ou três vezes seguidas) e claro que quem estava na rua tratava de ir logo para casa.

Muitas residências possuíam rádio que funcionava utilizando baterias de carro. Para ouvir músicas ou notícias durante o dia era necessário que à noite a bateria fosse ligada a um aparelho elétrico chamado de “tunga” que a recarregava. Depois surgiram os rádios a pilha que tinham a caixa de madeira, um compartimento atrás para a colocação das pilhas e, na parte da frente, um tipo de visor que chamavam de “olho mágico”. O rádio era sempre colocado em cima de um móvel na sala das residências e, às vezes, coberto com uma capa de tecido com bordados. Em cima dele costumava-se colocar um gato ou um cachorro de louça.

Certa vez chegou à cidade uma pessoa por nome Zanoni, parente do médico Dr. Manoel, que entendeu de, juntamente com outras pessoas, colocar uma antena de TV em um local perto da cidade chamado de Pedra Montada, considerado um dos pontos mais altos das serras que margeiam a cidade. O aparelho de TV que receberia o tal sinal foi colocada na residência de Dr. Manoel. À noite a frente da casa ficou cheia de gente e quando ligaram o aparelho começou a aparecer na tela um amontoado de chuvisco e todos começaram a bater palmas dizendo:

– Êta! O sinal chegou!

Outros diziam:

– Isto aí é o que chamam de televisão? Não Achei um pingo de graça.

Só sei dizer que a frustração foi total e eu saí de Itiúba alguns anos depois sem assistir um só programa de televisão.

 

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Itiúba do meu Tempo - Fernando P. de Carvalho

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