O Meio Caminhão

Valmir Simões

 

 

Itiúba possui um dos maiores açudes do estado da Bahia e, desde bastante tempo, as pessoas da redondeza (os ribeirinhos) retiram das suas águas o seu sustento, pescando com redes, anzóis e tarrafas peixes de diversos tipos e camarões.


Como a produção dessa barragem chamada de Açude Público do Jacurici, porém mais conhecida como Açude da Camandaroba, vinha aumentando cada vez mais, o comerciante José Elias Homem (Zé Homem), estabelecido com comércio de estivas e molhados em Itiúba e Camandaroba, entrou no ramo da vendagem de pescados para o comércio de Salvador. Comprou um caminhão F-350 da marca Ford e começou transportando a mercadoria em grandes caixas de madeira forradas de zinco e isopor, onde era colocado o pescado com gelo para suportar a viagem até Salvador. O negócio deu tão certo que dentro de pouco tempo ele já possuía dois caminhões.
Reconhecendo a robustez dos veículos, um fazendeiro de grandes posses que residia na cidade, mas não desfrutava de muitos conhecimentos, dirigiu-se a Salvador com um de seus empregados e chegando à Mesbla Veículos foi ao balcão e disse para um dos funcionários da empresa:

– Eu quero comprar um meio caminhão daqueles do Zé Homem e pago na hora, pois estou aqui com todo o dinheiro dentro desta mochila.

O funcionário, sem entender o que ele queria, resolveu levá-lo até o pátio da sede da empresa, onde estavam vários veículos e assim o confuso cliente pode identificar o veículo que queria e fechar o negócio.

O filho dele começou também, a fazer viagens com o veículo para vender em Salvador peixes do açude e certa vez quebrou uma das jantes do pneu. Não tendo dinheiro suficiente para a compra de outra resolveu passar um telegrama para seu pai, nestes termos:

– “Meu pai mande dinheiro para comprar uma jante”.

O pai prontamente enviou outro telegrama dizendo:

– “Ande mais depressa e venha jantar em casa”.

 

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Itiúba do meu Tempo - Fernando P. de Carvalho

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