A Mulher de Branco

Valmir Simões

 

 

Certa noite, em torno das 20 horas, meu pai (Zé Simões) estava se arrumando para fechar a venda quando chegou o Lulu (marido da profª Alzirinda), já cheio de pinga e pediu um pouco de água. Na venda só existia um pote de barro no depósito, em um canto da parede, que era sempre mantido bem tampado com um pano branco e uma tampa de madeira, para evitar a entrada de poeira e insetos. Meu pai forneceu a chave para que ele tomasse a água à vontade. O Lulu se dirigiu ao depósito e logo saiu correndo, levando tudo pela frente. Meu pai ficou assustado e perguntou o que foi que aconteceu. Ele não conseguia nem falar, o coração estava para sair pela boca, mas depois de acalmar-se um pouco ele falou:


– Zé tem uma mulher morena de cócoras em um canto do depósito e eu posso ter a maior sede do mundo, mas lá eu não volto mais.

O meu pai tinha certeza de que não havia entrado nenhuma mulher. Nisso ia passando o Tonho do Correio e meu pai disse:

– Tonho, faça um favor e tire uma dúvida nossa. Entre no depósito e pegue um caneco d'água para o Lulu no pote que está lá dentro. O Tonho, também meio cambaleando, foi até o depósito e voltou correndo dizendo:

– Tem uma mulher morena lá, abaixada fazendo xixi no chão.

Meu pai não acreditando, mas também receoso, encheu-se de coragem, chamou os dois medrosos e foram até lá e acabaram descobrindo que a mulher morena abaixada era o pote que tinha a cobertura de um pano branco e uma tampa de madeira que parecia uma cabeça coberta.

A dúvida foi esclarecida e o Lulu conseguiu beber sua água tranquilamente.

 

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