Louco Varrido

Valmir Simões

 

 

 

Itiúba, como todos sabem, sempre foi uma cidade pequena carente de recursos médicos. Naquela época, para se ter uma assistência melhor, as pessoas mais abonadas se dirigiam a Salvador, capital do estado. Uma pessoa da região do Rio Itapicuru, tinha um filho que sofria de esquizofrenia e, através dos políticos, conseguiu uma autorização para tratamento no Hospital Juliano Moreira.


Dois primos do rapaz o conduziram de trem até Salvador. Enquanto providenciavam os documentos necessários para o internamento do paciente no hospital, ficaram na casa de um político de Salvador, apenas para passar a noite. Ele criava uma linda arara que era sua paixão e por todos admirada (claro que ainda não existia IBAMA). Quando a noite chegava a arara era retirada da varanda e ficava solta em uma parte da casa, pois era mansa com seus donos e brava com os forasteiros.

Quando todos dormiam e as luzes estavam apagadas, o doente mental resolveu ir ao sanitário andando de “quatro pés” na casa. Em dado momento ele se deparou com a arara e ela deu-lhe uma tremenda beliscada em uma das mãos. Como recurso de vingança o rapaz segurou a ave e deu-lhe uma tremenda dentada na cabeça matando-a na hora. Com o barulho todos acordaram e o dono só teve que se lamentar pela perda do pássaro querido que criava há tanto tempo.

Logo pela manhã o louco foi despachado rapidamente para o Juliano a fim de cumprir o seu tratamento. (Contaram-me para inclusão dos contos de Itiúba).

 

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Itiúba do meu Tempo - Fernando P. de Carvalho

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