O "AMERICANO" E A "PENICILINA"

Hugo Pinto de Carvalho

Aproximadamente a partir do anos de 1955 e durante muito tempo, um exótico e curiosíssimo casal marcou presença na cidade.

O "Americano", um negro de mais de sessenta anos de idade, que ganhou esse apelido porque além do português falava também um inglês razoável, surgiu em Itiúba acompanhando uma trupe de teatro mambembe e nunca mais arredou o pé da cidade. Rapidamente conquistou a simpatia dos moradores mais velhos e, também, dos jovens, principalmente dos estudantes, falando inglês e contando umas histórias "cabeludas" sobre viagens de navio pelo mundo.

Na cidade vivia do pouco que ganhava com consertos em sombrinhas e guarda-chuvas e mais tarde passou a contar também com uma pequena aposentadoria conseguida de favor com a ajuda de engenheiro-chefe do Açude de Camandaroba pertencente ao DNOCS. "Penicilina", a companheira que ele arranjou na cidade, era uma inveterada alcoólatra de pernas arqueadas e ninguém sabia ao certo a razão do seu apelido. Como o "Americano" também gostava da "água de garrafa" e a bebedeira de ambos invariavelmente acabava em confusões. Falava-se na cidade que toda vez que o "Americano" adoecia queimava todo dinheiro que havia economizado, só para não deixá-lo para a "Penicilina", caso viesse a morrer. O curioso é que ele realizava esse ritual até quando pegava uma simples gripe.

(Mais uma colaboração do meu irmão Hugo)

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