A Sexta-feira Santa e o Cruzeiro

Valmir Simões

 

 

Os participantes da farra da "serra-velha", que ocorria na véspera da Sexta-feira Santa, ficavam, no dia seguinte, a comentar quem foi "serrado" ou não, na porta de quem foram colocados os ganchos, os rosários feitos de canudo de mamoeiro, as cruzes, os bonecos feitos de casca de melancia, além dos bilhetes aconselhando os casais a efetuarem rapidamente os seus matrimônios.


Na Sexta-feira Santa, ao raiar do dia, podiam-se ver várias pessoas subindo a Serra do Cruzeiro, com o propósito maior de rezar, admirar a linda paisagem e namorar. A rapaziada, mais eufórica, subia com objetivos um pouco diferentes que eram: beber, namorar debaixo do enorme lajedo, furtar melancia nas roças vizinhas e praticar outros atos não muito condizentes com o dia santificado. A enorme cruz ficava repleta de palhas de ouricuri amarradas e as pessoas que chegavam iam pegando-as e colocando outras novas nos seus lugares. Acreditavam que essas palhas protegiam-nas de doenças e energias más. Alguns rapazes “tiravam até uma” de Cristo na cruz para serem fotografados. Na verdade, era um dia muito divertido.

Ao descer para a cidade quem tomava muito vinho tinha certeza de chegar lá embaixo com braços e joelhos arranhados em razão dos escorregões na íngreme descida.

 

SOBRE A SERRA-VELHA LEIA TAMBÉM:
- A SERRA VELHA (pág.06) - Fernando P. de Carvalho
- A SERRA-VELHA E O BANHO DE XIXI (pág.144) - Valmir Simões
- A SERRA-VELHA II (pág.150) - Humberto Pinto de Carvalho

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