Café Caldeado

Valmir Simões

 

 

Nos dias de hoje quem sabe o que significa um café caldeado? Dificilmente alguém saberá. Só mesmo as pessoas com mais idade. Os Itiubenses daquela época compravam café em grãos que eram torrados e moídos em casa ou compravam café torrado e caldeado pelo Generino, pessoa humilde que morava no Bairro do Calumbi, próximo a um tanque de pedra do Sinhozão, administrado pela mãe do Teteiro, seu vaqueiro por toda vida.


Generino torrava o café e quando o mesmo já se encontrava quase no ponto da retirada do fogo ele despejava uma calda de açúcar, mexia bem e despejava tudo em cima de pequenos pedaços de laje de pedra, para secar. A garotada quando passava por lá pegava pedaços de grãos de café açucarados. Generino bebia bastante, mancava de uma perna e não tinha agilidade suficiente para correr atrás dos meninos.
Algumas famílias entregavam o café em grãos ao Generino e pagavam pela torrefação e pelo caldeamento com açúcar e, às vezes, com cravo da Índia, dependendo do gosto do freguês. Quando o Generino não tinha grana para beber vendia o café que não lhe pertencia e quando era cobrado dizia sempre:

– O seu café eu bebi.

 

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