O JOGO DE GAMÃO

Fernando P. de Carvalho

O Gamão é um jogo muito antigo. Ele, como o conhecemos hoje, é o resultado de muitas transformações e adaptações. Acreditam que o gamão já era conhecido nas antigas civilizações suméria e egípcia. Tabuleiros semelhantes aos atuais foram encontrados nas tumbas do Vale do Nilo no Egito e nos arredores das ruinas de Ur na Mesopotâmia . O objetivo principal do jogo de gamão é levar todas as suas peças até a sua área para começar a retirá-las porque quem consegue retirar todas as peças primeiro ganha o jogo.

Jogar gamão em Itiúba é uma tradição que vem passando de pai para filho há muitos anos. Ainda menino eu via as pessoas jogando gamão nas calçadas, debaixo de árvores e dentro das casas comerciais e até residenciais.

Aprendi a jogar gamão em Itiúba, ainda jovem. Talvez tivesse uns 14 anos de idade. Até hoje, longe de lá, jogo muito com meus irmãos nas reuniões de família. É uma grande diversão bater o bogue no tabuleiro e torcer para que os dados revelem pontos que favoreçam as posições das minhas pedras. Isto porque o gamão é um jogo que tanto depende dos conhecimentos e das habilidades do jogador, como, também, da sorte.

Itiúba teve a ainda tem bons jogadores e, como o espaço é pequeno, citarei apenas alguns: Carlos Pires, Isaias Martins, Banduca, Bertinho, Zezito, Nininho do Alto, Onésimo, tio Osvaldo, Tiberinho.

Até regras diferentes foram criadas lá. Exemplos:

•  Não se permite que a pedra que “bate” a do adversário no seu lado de arrumação seja imediatamente retirada. Ela ficará lá até que seja “coberta”;

•  Quando se está “comendo” as pedras e os dados do jogador mostram pontos dobrados que dão para “comer” todas restantes, ele marcará os pontos em dobro;

•  Na hora do sorteio para ver quem começa o jogo conseguindo o número maior com um único dado jogado, o ganhador não utilizará esses números (o dele e o do perdedor) para iniciar o jogo e sim, jogará novamente, agora com os dois dados.

"Peru" é a pessoa que fica assistindo o jogo, geralmente dando palpites nas jogadas. É uma figura indispensável para um jogo animado e disputado. Existiam até pessoas que só faziam “aperuar” e nunca jogavam.

”Ferrado” é o jogador que se zanga com as intervenções dos “perus” e, também, com o azar nos números sorteados pelos dados. Tio Osvaldo era um deles. Contam que ele, depois de tirar “dois e ás” quatro vezes seguidas, disse, batendo o bogue no tabuleiro:

- Se sair “dois e ás” outra vez eu vou engolir os dados e amanhã vou ficar observando a saída deles para ver se vai dar “dois e ás” de novo.

Acho que os dados não mostraram “dois e ás” novamente porque só me contaram a história até aí.


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Itiúba do meu Tempo - Fernando P. de Carvalho

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