O GARIMPEIRO ITIUBENSE

Valmir Simões

Itiúba passava por uma fase muito ruim, enfrentando uma grande seca. Muitos pais de família iam para São Paulo e Minas Gerais, atrás de emprego ou um meio de vida que desse para enviar dinheiro para os seus familiares.

O que passo a relatar foi um caso que ocorreu com um dos vários Itiubenses que, não tendo dinheiro suficiente para se deslocar para outros estados, reuniu esposa e filhos e se dirigiu para uma mina de cristal chamada de Tareco e que ficava nas próximidades da cidade de Jacobina . Quem me contou esse fato foi o amigo Odilon do Santana, na época funcionário do Sr. Antônio Valadares.

Foram 8 dias de viagem a pé, carregando um dos seus filhos menores no ombro durante boa parte do tempo. Puro sofrimento. Chegando ao destino, cansado e sem dinheiro, ficou espantado com a quantidade de garimpeiros que se encontravam por lá e procurou se familiarizar com alguns, quando obteve a informação de aquela mina já tinha dado muito e que os bons tempos já tinham passados. Desanimado e abatido com as informações negativas, pensou em voltar, mas o sexto sentido da mulher dizia que não deveriam desistir nunca. Conseguiu uma picareta emprestada para cavar e colocar os paus da barraca e no primeiro furo deu de cara com uma enorme pedra de cristal de primeiríssima qualidade que deixou todos estupefatos. Achou comprador de imediato e o dinheiro arrecadado já daria para voltar a Itiúba com pinta de Barão. Ficou nesta mineração apenas 3 meses, encontrando outos cristais de menor valor e acabou vendendo o seu lote para outra pessoa e voltou, de carro fretado, para Itiúba. No sábado seguinte ao seu regresso chegou ao Bar do Carlos Pires e disse que bebida, jogos de snooker e bilhar, a partir daquele momento, era tudo por conta dele. Vestia roupas estravagantes e trazia nos bolsos trazeiros de sua calça Coringa duas lanternas de pilha acesas durante o dia. Uma criança vendo aquilo, disse:

- “Seu” moço! O negocinho em seu bolso está aceso.

E ele, prontamente, respondeu,:

- Deixa, meu filho, eu posso usar!

Depois solicitou ao balconista do bar um quilo de requeijão, pediu uma faca, cortou o requeijão e do meio retirou um pedacinho do tamanho de uma bola de gude e comeu. Algumas pessoas que estavam próximas ficaram mais espantados ainda queano ele pegou o restante do requeijão e jogou no lixo dizendo que prá ele aquilo era casca.

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Itiúba do meu Tempo - Fernando P. de Carvalho

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