JOÃO PEDRO, O QUEBRADOR DE PEDRAS

Valmir Simões

Itiúba é uma cidade cercada por montanhas, onde predominam grandes rochedos e, por isso, as pedras para o calçamento de suas ruas são retiradas e transformadas em meio-fios e paralelepípedos sem onerar tanto no transporte, em razão da curta distância.

Lá pelos anos de 1958 eu conheci o João Pedro, pessoa alegre, de bom papo, que sempre estava na venda do meu pai tomando uma cachacinha de infusão com milome ou pau-prá-tudo, bebida de um amargor infernal que ele dizia que era muito boa para curar os males. Contava muitas proezas da sua profissão como quebrador de pedras. As ferramentas por ele usadas eram as seguintes: uma marretinha pequena com cabo de madeira, um pixote de aço, tavoca de aço (um tipo de alavanca, com ponteira bem afiada, para grandes furos em rochas ). O material usado era: pólvora, estopim, bucha de sisal e barro. Após a explosão por ele provocada as grandes rochas eram transformadas em pedaços menores para facilitar o seu trabalho quase artesanal. Quando ele estava cheio de “pinga” e assim mesmo ia trabalhar, segurava a tavoca no buraco que estava fazendo na rocha e um outro ajudante levantava uma marreta de mais de três quilos e desferia o golpe sobre a extremidade da tavoca, contruindo, assim, um enorme furo para a colocação do explosivo. O João Pedro tinha o hábito de cantar durante o trabalho e, embora correndo o risco de perder um dedo ou até mesmo a mão inteiro debaixo daquele imensa marreta, ele trabalhava sempre cantando:

“ PEGA NA MARRETA QUE O BESOURO AVOA COISA QUE DEU CERTO LAMPIÀO COM LAMPIÔA...”

E, assim, ia tocando o seu trabalho e fornecendo as pedras para o calçamento da nossa querida cidade, por muitos anos, durante várias administrações municipais.

 

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Itiúba do meu Tempo - Fernando P. de Carvalho

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