O TAMBORETE MALVADO

Valmir Simões

No estoque de bebidas do armazém de meu pai, uma das prateleiras tinha um tratamento todo especial pelas infusões (cachaça com mistura de folhas ou raízes) que continha. Ainda me lembro de algumas, afinal de contas ajudava no preparo: Erva Doce, Milomen, Jatobá, Pau pra Tudo, Angico, Folhas de Figo, Pau de Rato, Dandá, Pau de Resposta, Parida,Umburana. Isto fazia com que os apreciadores destas bebidas, freqüentassem aquele local .

As paredes internas do armazém tinham uma saliência em toda a sua extensão, como se fosse um rodapé sobresalente. Tínhamos vários tamboretes próximos ao balcão e outros juntos da parede. Os apreciadores das infusões tinham o hábito de ficar tomando uns tragos com o tamborete próximo da parede, apenas equilibrado-o com as pernas traseiras e as outras duas completamente suspensas. Certo dia chegou uma pessoa muito conhecida da cidade e que tinha o apelido de João Três Quinas. Não estava bebendo, no entanto, usou o tamborete do mesmo modo dos demais, e não deu outra, o maldito tamborete escapuliu as duas pernas traseiras e o coitado bateu com aquele ossinho da regada, mais conhecido como ponto final, exatamente na quina de cimento do rodapé, deixando-o estendido no chão sem ter condições de falar, quanto mais de levantar-se, foi um vexame.

Colaboração: Valmir Simões

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Itiúba do meu Tempo - Fernando P. de Carvalho

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