A FESTA DO CONRADO

Valmir Simões

Bom tempo era aquele em que vivíamos sem as preocupações de hoje. Stresse nem conhecíamos. De uma hora para outra “dava na cabeça” e a moçada se reunia a fim de ir, em turma, a algum lugar onde houvesse festa. Certo dia, eu e um grupo de amigos, fomos a uma festa lá para as bandas do Calumbi. O Verdinho e o Macambira anunciavam que seria uma beleza, pois lá se encontravam umas meninas do Povoado de Cacimbas, para animar o ambiente. A brincadeira seria na casa de uma tia delas. Lembro-me muito bem do local. Tinha uma enorme amendoeira na porta da casa cercada por várias pedras, cenário muito comum no Calumbi. Até aquele momento não sabíamos quem iria tocar. Depois de alguns instantes ouvimos um som que vinha lá dos fundos da casa. Entramos, por convite do Verdinho, e nos deparamos com o Conrado Sanfoneiro com uma harmônica de 8 baixos, mais conhecida como Pé de Bode. O Verdinho pegou o triângulo, o Jipe o pandeiro, e o Macambira um velho tambor forrado com couro de bode, antecipadamente esquentado pelo fogo de um jornal queimado. Isso fazia o som ficar mais estridente.

A festa estava bastante animada, cada qual se arrumando como podia. Lá para as tantas, apareceu uma pessoa da casa e que eu nem a conhecia. Ela ficou com as mãos apoiadas na porta de entrada da casa e disse:

- Quem está dentro da festa vai pagar uma bolsa para colaborar com o sanfoneiro.

Para nos foi uma surpresa, principalmente porque éramos convidados e, além disso, estávamos “duros”. Falamos para a tal senhora que éramos convidados do Verdinho. Ela disse que o Verdinho não mandava em nada ali. Enquanto ela foi questionar o Verdinho, nós largamos as moças na acanhada sala da casa e saímos “de fininho” pela porta e, às carreiras, fugimos pelos caminhos do Calumbí, com uma “cachorreira” danada latindo sem parar. Foi um sufoco.

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Itiúba do meu Tempo - Fernando P. de Carvalho

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