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Antônio Casca-de-Jaca

Carlos Pires (Bentevi)

Antônio Casca-de-Jaca era um gari da prefeitura, muito bruto, que fazia o seu serviço usando uma carroça. Geralmente, quando ele estava limpando a área em frente à cadeia publica, rolava um “baba” ali perto, na Praça Nova. Os jogadores gritavam, então:

- Casca-de-Jaca!

Ele, imediatamente, empunhava o seu facão e saia a perseguir os garotos. Nunca conseguia atingi-los – eu acho que ele nunca desejou mesmo conseguir – e, então, descarregava toda a sua raiva nas traves do campo de futebol improvisado, feitas de flechas de sisal, cortando-as em pedacinhos.

Um outro fato engraçado que aconteceu. Ele estava fazendo o seu trabalho de limpeza das ruas da cidade quando se deparou com um cachorro morto e, incontinente, atirou-o na carroça, com tanta força, porém, que o animal caiu do outro lado. Ao começar a fazer a limpeza naquela área deparou-se novamente com o animal morto, pensou que fosse outro e atirou-o na carroça ainda com mais força do que na vez anterior. O cachorro outra vez caiu fora da carroça e ele na sua estupidez não notou nada. Ao pegar as rédeas para puxar o burro da carroça viu o cachorro morto e, novamente pensando que fosse outro, irritadíssimo, disse:

- Esses desgraçados estão acabando com os cachorros da cidade!

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Itiúba do meu Tempo - Fernando P. de Carvalho

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