r

Os Flatulentos de Itiúba

Carlos Pires (Bentevi)

Dudé, o Rasga-Linho, era assim chamado por ter uma habilidade incrível de dar sonoridade às suas flatulências. Quando alguém oferecia algum dinheiro ele logo mostrava essa habilidade emitindo um som que parecia estar rasgando o tecido da cueca e da calça que estava usando. Todos os sábados o Dudé vestia a sua melhor roupa, descia lá do Bairro do Alto, onde morava, e ia para frente da igreja tentar a difícil tarefa de encontrar uma namorada entre as moças da roça que freqüentavam o templo católico. Eu morava nas proximidades da igreja e ficava observando o Dudé naquela luta semanal que, quase sempre, terminava com o desfile dele pela Rua dos Artistas, todo garboso, com a sua nova conquista a tiracolo.

Manoel Trinta-e-um ganhou esse apelido, que carrega até hoje, porque fez uma aposta com o comerciante Manu para dar trinta peidos sem interrupção. Depois de cumprir o prometido, sem fazer força, ele resolveu dar mais um de agrado e isso foi a sua derrota. O Manu, sabido como ele só, para não pagar a aposta, disse que era para ele dar 30 e não 31 e assim a aposta estava anulada. O pobre do Manoel não levou o dinheiro e ainda ganhou esse apelido nada agradável.

 

IR PARA O ÍNDICE DE CRÔNICAS DESTE AUTOR

IR PARA O ÍNDICE POR ASSUNTO
IR PARA O ÍNDICE GERAL
IR PARA O ÍNDICE POR AUTOR

 

Itiúba do meu Tempo - Fernando P. de Carvalho

fpcarvalho@globo.com