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Otacílio, o Inventor 2

Carlos Pires (Bentevi)

Há alguns dias foi aqui publicado o relato que fiz sobre o Otacílio e sua invenção. O site recebeu o e-mail a seguir transcrito, do seu leitor e grande colaborador Ivan de Carvalho, que tem escrito bonitas crônicas aqui mesmo já publicadas:

"Fernando,

Ora, o Carlos Pires (Bentevi), mais novo colaborador deste site, conta essa história legal do tal Otacílio, que resolveu fazer ele mesmo o próprio automóvel, mas deixa os atentos e curiosos leitores à beira da indignação. Acho que, só de sacanagem, ele não esclarece se o carro funcionou

normalmente... Sugiro (pode passar a sugestão a ele, se quiser) que ele faça uma nova história, continuação da primeira, na qual descreva as peripécias do veículo pelas ruas de Itiúba, o assanhamento das garotas com o calhambeque, ou, se for o caso, o fracasso do professor Pardal da cidade e o lamentável destino do carro. E se o motor era a explosão, vapor, pedal ou cavalar. Abraço, Ivan"

Eu realmente, propositadamente, deixei sem contar o final da história porque ele não é bonito nem feliz. Mas o Ivan tem razão e vou tentar finalizar a história esclarecendo as questões por ele levantadas.

O Otacílio não tinha nenhum senso de pesos e medidas, pois, como vocês se lembram, durante a execução do projeto ele, em nenhum momento, atentou para o fato de que aquela enorme geringonça nunca poderia sair de dentro de sua tenda, onde estava sendo construída, pelas portas lá existentes. Procurando tornar a sua obra muito parecida com os veículos fabricados em série pelas montadoras, ele fez um monstrengo grande, feio e pesado, sem lembrar-se, também, de que o veículo, movido a pedal, num sistema semelhante ao das bicicletas, necessitaria de um condutor com uma força descomunal nas pernas para poder locomovê-lo.

Depois que o Otacílio derrubou a parede da frente da tenda, quatro homens fortes, com muita dificuldade, deslocaram o carro para fora da casa, empurrando-o, e depois tentaram conduzi-lo pedalando e não conseguiram sequer tirá-lo do lugar. O nosso Professor Pardal ficou decepcionado com o fracasso do seu invento e resolveu, a partir daí, passar a cuidar apenas de sapatos, que era mesmo o que ele sabia fazer. Não sei que fim teve o primeiro carro, "made in Itiúba", mas eu acho que pelo menos a parte de madeira foi queimada e transformada em carvão para que o fracassado inventor usasse nas suas pinturas capilares

 

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Itiúba do meu Tempo - Fernando P. de Carvalho

fpcarvalho@globo.com