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As Mentiras do Né

Djalma dos Anjos

O meu pai, Zé Dantas, era o proprietário do bar que ficava na parte de baixo do sobrado localizado na Praça da Matriz, onde funcionava, também, a Rádio Cultural de Itiúba, na parte de cima. Lá existiam uma mesa de bilhar e outra de sinuca grande e muito boa.

Certa vez ele estava jogando sinuca com o Sr. Burguinho, proprietário de caminhão, construtor de casas na cidade e muito conhecido pela sua rápida mudança de humor, passando da alegria e das brincadeiras para o sério e para a zanga em poucos segundos. Naquele dia o Sr. Burguinho estava bem humorado e calmo, jogando muito bem e já estava com uma boa frente, quando apareceu o Né, um cabeleireiro que contava mentiras com muita arte e fazia todo mundo rir. O Né contou, então, que estava ali para se acalmar um pouco, pois acabara de cortar o enorme cabelo de um homem da roça e havia tomado um susto tremendo, pois nele havia encontrado um ninho do passarinho garrincha com dois ovinhos. O Sr. Burguinho riu bastante, mas a concentração escapou e daí em diante perdeu todas as partidas. Começou, então, a culpar o pobre do Né, que procurou sair rapidinho dali, antes que coisa piorasse para o seu lado.

 

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Itiúba do meu Tempo - Fernando P. de Carvalho

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