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O Paoco

Valmir Simões

Em Itiúba existiam uns tipos engraçados que, nos dias de hoje, contando, parece até mentira, mas é a pura verdade.

Residia na casa de D.Diona, na antiga Praça Nova, um carregador de volumes chamado Paoco. Ele sempre atendia as pessoas por esse apelido e eu nunca soube o seu verdadeiro nome próprio. Ficava, na maioria das vezes, sentado no seu carro-de-mão, feito de madeira, que só tinha uma grande roda forrada de borracha e dois grossos varões para apoiar as mãos. O ponto de parada era embaixo de uma árvore que ficava nas proximidades do armazém do Sr. Pedro Ramiro que comercializava cereais em grosso e a varejo e que era o que o referido carregador mais costumava transportar.

Durante o tempo que residi em Itiúba sempre observei a maneira diferente do Paoco se vestir. Comprava o tecido na loja do Sr. Cicero Marques, sempre de uma mesma cor e do mesmo tipo, uma mescla escura de listras cinza. Mandava costurar calça e paletó para o seu trabalho do dia-a-dia. A calça tinha as pernas arregaçadas até o meio da canela e o paletó não tinha botões, era fechado com uma enorme presilha de metal. Além de tudo ele não usava nenhum tipo de calçado, era pé no chão mesmo. Na boca carregava sempre um enorme charuto com a ponta mastigada em forma de leque.

O Paoco sempre foi “pau-pra-toda-obra”, não rejeitava serviço e tinha este seu jeito único de se vestir e de servir às pessoas. Quem o conheceu lembra disso muito bem.

 

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Itiúba do meu Tempo - Fernando P. de Carvalho

fpcarvalho@globo.com