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O Bom "Abafabanca"

Valmir Simões


Entre o Bar Central do Carlos Pires e a Alfaiataria do Joãozinho existia um cômodo com duas ou três portas de frente e cuja área construída e coberta não media mais do que 30 m2. O quintal, contudo, tinha grande extensão. Neste local instalou-se a Casa Marina, onde eram vendidos eletrônicos e eletrodomésticos e tinha como carros-chefe de vendas um liquidificador de manivela e a geladeira Gelomatic Curvilínea (Cantos Curvos). Ainda não eram conhecidas as geladeiras com formato quadrado. Todas funcionavam a querosene. A loja era uma novidade para a cidade, dava a impressão de que o progresso e o conforto para nossas casas estavam chegando. As pessoas de melhores condições financeiras já tinham em seus lares esses eletrodomésticos. Quem ia adquirindo essas novidades passava a usufruir de resultados financeiros vendendo Abafabanca de K-Suco, frutas, etc. A mistura com água era colocada em formas para gelo e transformada no Abafabanca, preso em um palito Monroe (aquela marca que não mais existe). A meninada dava um valor danado a tal guloseima, que era vendida por um valor que nem me lembro, em razão de tantas mudanças na nossa moeda. Os que ficavam olhando sem condiçoes de comprar diziam: - Me dá uma mordidinha aí rapaz. E, assim, também provavam um pedacinho. Certa vez cheguei à casa de uma criatura e ví uma dessas novidades de fazer gelo e o cuidado com ela era tanto que tinha uma enorme capa plástica cobrindo a frente e na porta ficava preso no puxador um pinguim feito de tecido. Era um cuidado danado e era colocada na sala de jantar e não na cozinha como nos dias de hoje. Acho que a Casa Marina tinha sua matriz em Senhor do Bomfim. Na cidade a loja teve curta duração, fechou dentro de pouco tempo.

 

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Itiúba do meu Tempo - Fernando P. de Carvalho

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