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No Tempo da Penicilina

Valmir Simões


Quem foi daquela época tem muitas histórias para contar. Locais como: Rua dos Cambecas, Pontilhão perto do Cemitério, Rua das sete Casas, Calumbi, Rua da Cacimba Funda, Pedra do Benção Meu Tio e Laje Grande foram testemunhas de muitos “atos” da rapaziada. Ah! Se fosse hoje tinham muitos encalacrados, pois aconteciam muitas travessuras e o indivíduo dentro de 24 a 72 horas corria para a Farmácia do Soares que, sorrindo e com aquele jeitinho de balançar o pescoço, costumava dizer: - É rapaz vamos ter que tomar ou uma penicilina de 500mg ou logo uma benzetacil que o efeito é na hora. A seringa era fervida naquele estojo inoxidável, depois ele colocava uma agulha prá lá de grande e grossa, misturava o líquido da ampola a um pó de outro recipiente e dizia: - Se for no braço vai doer muito, é melhor ir arriando as calças e deitando que não dói muito não. Quando o cara recebia a agulhada, porém, as lágrimas brotavam nos olhos e o arrependimento vinha à tona. Um dia entrei no Bar do Carlos Pires e lá nos fundos tinha um mictório de cimento onde estava um amigo nosso com as duas mãos na parede, tentando fazer xixi, rangindo os dentes e os olhos marejados e dizia: - Aquela fulana passou prá raça toda. Eu sorria e dizia:- Mais dinheiro para o Soares, pois D. Zirú ninguém tem coragem de procurá-la para este assunto. O Soares sorria conversava muito mais não propagava o assunto. Existiam outros locais onde algumas pessoas aplicavam injeções, sei onde era, mas não revelo. A situação ficou tão complicada com alguns amigos que, onde se sentavam, muitos não se aventuravam a ocupar o mesmo lugar depois. Conheço uma pessoa do nosso meio, naquele tempo, que após a luz se apagar, ficou completamente nu e vestiu uma capa colonial marca 3 coqueiros sem manga, e foi esperar uma criatura atrás de um tanque de pedra, perto da casa do Tetero quando, de repente, os cachorros começaram a latir e a pessoa saiu correndo com a capa aberta na escuridão que mais parecia um morcego voando quando foi descoberto sua identidade pelo Macambira. Aí a ficha caiu. Tempo bom aquele.

 

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Itiúba do meu Tempo - Fernando P. de Carvalho

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