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O Bazar Popular

Valmir Simões


Quem conheceu o Bazar Popular lembra-se muito bem dele. Era considerado o maior estabelecimento comercial da cidade. Na sua diversificação de mercadorias, a variedade era tamanha que um funcionário novo na casa ficava atordoado sem saber se tinha ou não a mercadoria que o freguês desejava e não sabia se procurava embaixo do balcão, no teto, ou nas prateleiras. Existia uma vitrine do tempo do ronca, logo na entrada, junto a um antigo balcão de madeira, lá ficavam em exposição vários tipos de perfumes como: Lancaster Água de Colonia, Promesa. Talcos: Gessy, Granado. Óleos para cabelos: Òleo de Ovo. Esmalte para unhas que naquele tempo se chamava Fátima. Liga para roupas femininas que se chamava Sianinha, carretéis e meadas de linha para costura e muitas outras quinquilharias estavam expostas naquela vitrine. No teto, pinicos esmaltados de branco com bordas azuis, rolos de arame liso de diversos tipos, etc. Como o velho balcão era em forma de “L” ficava preso ao teto umas latas de forma cilíndrica com um furo no fundo de onde desciam cordões para amarrar os pacotes no balcão. Lembro-me de algumas mercadorias que formavam o estoque. Vejam a miscelânia, mas era alí o local que todo Itiubense encontrava quase tudo que queria: facão, picareta, pá enxada, roxo-terra, tabatinga branca e amarela, purpurina em dedais, linhas para tricô, anilina para tinturar roupa, cimento a granel, pólvora em canudos marca Elephante (como se escrevia antigamente na embalagem) carbureto, chupeta de borracha com um apito para consolar criança, papel de seda e crepon, todo tipo de acessório para sapateiro, cintos e suspensórios marca Ypú, pratos e copos de alumínio, chapas de zinco para os funileiros e uma infinidade de coisas. Só faltava ter o diabo empacotado, o resto tinha. O local era um pouco acanhado apesar de ter no quintal uma boa área como depósito. Bom tempo aquele quando ali de tudo se encontrava um pouco ou era anotado o que não tinha naquele momento para que no futuro nâo faltasse.

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Itiúba do meu Tempo - Fernando P. de Carvalho

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