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A Bomba de Novelo

Valmir Simões


A história aconteceu com os açougueiros que vendiam carnes no antigo Açougue Municipal de Itiúba. Não sei se ele ainda existe e se as instalações ainda são as mesmas. existiam grandes balcões de cimento e ao lado de cada um deles ficava um enorme tronco de madeira que servia para quebrar ossos com aquelas machadinhas de cabo de madeira encerado pela gordura das carnes e do tutano dos ossos. Usavam aventais de tecido branco, nada de gorro ou luvas como nos dias de hoje e pecavam pela falta de higiene no local. Os bolsos da parte da frente das calças exibiam o volume dos maços de dinheiro e, quando passavam troco aos clientes, esfregavam o dedo na língua para facilitar o manuseio. A carne era ou com osso ou sem osso. O que sobrava do dia era colocado na salmoura para se transformar na carne do sol do próximo sábado. Todos os amigos do meu pai, no meio destes uns quatro compadres, com uma consideração imensa, entre eles o Zezinho do Alto, sorridente, gostava de dar boas gargalhadas, pessoa bem próxima a nossa família. Certo dia, o Zezinho falou para meu pai que alguns açougueiros sempre comentavam não ter medo de nada, exibiam valentia e coragem da boca prá fora. Então eles dois montaram um esquema para dar um susto naqueles “corajosos”. Juntos, o meu pai, o Zezinho e o Pedro da Bilora, colocaram um traque em um novelo de cordão e foram ao açougue. Lá fecharam a única porta que estava aberta e disseram: - Agora, cambada, vamos ver quem é homem aí. Acenderam o traque e jogaram no meio do açougue. O novelo saiu rolando pelo salão e foi gente se escondendo por detrás dos balcões, dos troncos de madeira e outros locais, tapando os ouvidos e chamando de loucos os inventores da brincadeira. Pelo tamanho do novelo eles imaginaram que do prédio do açougue só sobrariam as ruínas. Após o pequeno estampido do traque eles apareceram com caras de bobos e viram que de nada adiantava a coragem e a valentia que eles diziam possuir. No final tudo foi só uma brincadeira e uma tremenda gozação com muitas risadas.

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Itiúba do meu Tempo - Fernando P. de Carvalho

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