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A Cachaça de Barril

Valmir Simões


O Arrecadação (Trem de Carga) vinha de Salvador para Juazeiro e, como o próprio nome já dizia, tudo arrecadava nas estações que passava. Ao chegar a Serrinha eram embarcados com destino a Itiúba, enormes barris de cachaça para o consumo local e redondezas. Negócio lucrativo para quem vendia e o caminho do cemitério para quem bebia. Nos estabelecimentos comerciais e bodegas da cidade era colocada em litros para a infusão de folhas e raízes servida ao gosto do freguês que comprava informando quanto queria ou simplesmente dizendo:- Bota dois dedos aí, ou bota pela cinta do copo. Nasci e cresci vendo tudo isso perto dos meus olhos, pois testemunhava o consumo, daqueles que frequentavam o estabelecimento comercial do meu pai. O atacadista deste veneno era um senhor muito alegre, bom de prosa, alto, magro, bigode fininho e um bom vendedor. Seu nome era Joel. Costumavam dizer, na gozação, que a cachaça que ele vendia era a famosa “Poca Olho” e “Incha Pé”, pois quando o freguês estava nessa condição, estava aproximando-se da cova. O tempo passou, muita coisa mudou e depois de 40 anos fora da minha terra natal, tive uma surpresa há 5 anos atrás quando lá estive, a cachaça que era importada de Serrinha naquela época, hoje é produzida artesanalmente na própria cidade que agora conta com a ONG AA. A que ponto chegamos, se existe a ONG é porque a coisa ficou incontrolável e Deus ajude aqueles que odeiam aquela água mortal que passarinho não é tolo de beber

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Itiúba do meu Tempo - Fernando P. de Carvalho

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