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Os Escovadores

Valmir Simões


Realmente o Teia tinha razão ao dizer que, naquele tempo, quando um rapaz estava namorando com certo exagero estava “escovando”, como o meu amigo Fernando escreveu no conto “O Teia”, com muita propriedade. Na verdade, naquele tempo eu conheci muitos escovadores, uns escovavam pouco, outros mais ou menos, no entanto havia uns que escovavam tanto que não deixavam espaço para os outros coitados. Tinha gente que escovava no claro do dia, outros depois que o velho Caterpilar dava o último suspiro e descanso da sua jornada. Aí, meu irmão, haja escova. Dos bares apenas os clarões das velhas Petromax que saiam pelas portas abertas. Ao sair daquele trecho ninguém enxergava nada, apenas, de vez em quando, um clarão de lanterna de mão, mas não ousavam iluminar o rosto do escovador. Existiam locais certos onde, às vezes, o camarada pensava que estava só tomando conta do pedaço e, na verdade, tinha vizinho por perto. Tinha um que dava uma saidinha para escovar e quando se apresentava na “roda de amigos” vinha se ajeitando todo, penteando os cabelos com o seu tradicional pente de chifre (pente feito com chifre de boi) muito usado na época por alguns, e outros usavam o tradicional “Flamengo, um pentinho mais barato”. Este amigo era muito zeloso com sua aparência, às vezes negava que não escovava tanto como os amigos diziam, mas existia uma criatura que não saia do seu pé. Ah! Que bons tempos aqueles.

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Itiúba do meu Tempo - Fernando P. de Carvalho

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