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O Amolador de Tesouras

Valmir Simões

 

Hoje em dia é coisa difícil de ver, mas naquele tempo era muito comum aquele homem atravessando as ruas da nossa cidade, soprando o seu realejo de onde saia um som agradável para os nossos ouvidos. Era ele avisando aos fregueses que estava passando, empurrando algo parecido com uma bicicleta de uma roda só e trazendo um pequeno tamborete. Para trabalhar sentava-se no inseparável tamborete e fazia girar com um dos pés uma roda presa a uma correia e esta a uma polia de esmeril. Assim, amolava tesouras, facas, facões, navalhas e outros instrumentos de corte. Percorria toda a cidade e tinha os clientes mais assíduos como costureiras e alfaiates. Alguns não exerciam este ofício com uma profissão, era mais como “quebra galho”, como se dizia antigamente. Com o decorrer dos tempos, com o crescimento da industrialização no país que tornou as ferramentas mais resistentes e mais baratas, até mesmo em Itiúba, o amolador de tesoura desapareceu de suas ruas, pois as pessoas que mais usavam os seus serviços, simplesmente compraram seus próprios esmeris de duas faces e passaram eles mesmos a amolar suas ferramentas de trabalho. As tendas (barbearias), as costureiras e as alfaiatarias, fiéis clientes do soprador de realejo, não precisavam mais dos serviços daquele itinerante trabalhador.

 

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Itiúba do meu Tempo - Fernando P. de Carvalho

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